CAROS COLEGAS PROFESSORES E PROFESSORAS :
Vocês se lembram do Livro "CIDADÃO DE PAPEL" ?
Um trabalho ousado que denunciava a demagogia de um país que se dizia ser o pais do futuro e "formava " verdadeiros cidadãos que só tinham "existência" no papel. Aprendi que papel aceita tudo...hoje sei o quanto isso é real,pois além do ciddaão de papel agora temos a "Escola de papel "...uma escola para todos...que o acesso é real...mas a qualidade duvidosa...uma escola onde todo mundo "passa de ano"...encontramos alunos que não sabem ler e nem escrever por todas as séries do fundamental ...e no ensino médio a maioria dos alunos não sbaem nem mesmo calcular sua média anual...mas o que importa? Temos cotas para pobres do ensino público? Temos cotas para afrodescendentes...
Veja a opinião do Gilberto Dimenstein sobre a Greve de professores...
09/03/2010
Uma greve contra os pobres
A greve decretada pelo sindicato dos professores de São Paulo é uma greve contra os pobres -a sorte do sindicato é que os pobres não sabem disso.
Não vou discutir aqui o pedido de aumento salarial (30%).
O problema gritante é que, entre as reivindicações que levaram à decretação da greve, estão o fim das normas que reduziram a falta dos professores (podia-se faltar até 130 dias por ano), o exame para professores temporários, a nota mínima para os concursos, a escola de formação de professores (o novo professor tem de passar num curso de quatro meses antes de dar aulas) e, enfim, o programa que oferece aumento salarial para quem for bem em provas.
Suponhamos que se decidisse mesmo facilitar o absenteísmo (que já é grande) e reduzir medidas que valorizem o mérito.
Quem vai sofrer não é o filho da classe média. Mas o pobre.
Tenho dito aqui que a profissão mais importante de uma sociedade é o professor. Sei que ele vive em permanente tensão, o rendimento é baixo, é vítima de violência. Nada pode ser mais importante do que valorizá-lo. Sei também como a classe é vítima de várias mudanças de secretários --o que ocorre dentro do PSDB em São Paulo.
Mas esse tipo de reivindicação contra o mérito não melhora a imagem do professor - é um desserviço que o sindicato faz à categoria.
Fonte:http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u704224.shtml
DESABAFO
Caro Gilberto:
Quando leio suas opiniões sobre a educação nos últimos anos e seu apoio incondicional à política educacional do PSDB em São Paulo fico me perguntando: Cadê o Gilberto que escreveu o “Cidadão de Papel???
Quando dei aulas no magistério,vc foi citado como um jornalista ousado que tocava na ferida desta sociedade impregnada pelo capitalismo selvagem...cidadão de papel foi usado como uma “bíblia” em minhas aulas...quando leio seus artigos atuiais sobre educação...que decepção!
Hoje estou doente...trabalhei muitos anos em condições adversas na Zona Leste(25 anos),salas superlotada,faltava material,faltava livros,só não faltava crianças com fome,drogadas,abandonadas pela sociedade,pelas familias...alunos bem parecidos com aqueles garotos citados no "Cidadão de Papel"...com disturbios emocionais,problemas de aprendizagem e inúmeros transtornos.
Como professora filha de pobre sofri muito para pagar meus estudos...dobrei e dobro período nestes 25 anos para sobreviver com um mínimo de dignidade...a saúde foi embora,estou readaptada em uma escola...cumpri meu papel... sei que formei muitos "cidadãos sujeitos"
Apesar de ter cumprido meu papel com dignidade...hoje estou jogada às traças em uma escola que se diz inclusiva,mas que não inclui o professor que desenvolveu uma enfermidade motivada por sua profissão...agora tenho que fazer prova para conseguir um mísero aumento em meu salário que é simplesmente rídiculo,apesar de já ter sido contratada mediante uma prova de concurso publico ...tenho duas pós graduações que não valem nada nesta politica educacional atual... no isso dói,mas o que mais dói é ver a educação mergulhada no caos...e ter que engolir a propaganda mentirosa do governo e a mídia jornalística apoiando...artigos que ofendem minha dignidade como profissional da educação,reportagens que debocham e jogam minha carreira na lama...
Cadê o jornalismo denúncia?
Será que estão tão ocupados com as máfias e escândalos dos políticos que não existe tempo e espaço para outros setores da sociedade?
Cadê o cara que teve coragem de denunciar o abandono e a violência contra os meninos de rua e escreveu sobre o “Cidadão de Papel?
Cadê o compromisso do jornalismo com a verdade?
Gostaria de lançar um desafio aos jornalistas comprometidos com a verdade...ouçam os professores,acompanhem o dia a dia de alguns destes,conheçam a escola que existe além dos portões da entrada...comparem com as propagandas oficiais...vocês podem se surpreender! Professora M.Socorro
O comentário do Professor Mario Ferro sobre este artigo "uma greve contra os pobres" diz tudo aquilo que ainfa ficou engasgado aqui...
Sou professor da rede estadual há oito anos e ocupo dois cargos como professor desde 2005.
Este ano decidi que será o último no qual ocupo estes cargos.
A partir do ano que vem mudarei de carreira e, infelizmente, largarei a profissão que um dia imaginei que desempenharia e que seria aquela que me realizaria como profissional e ser humano.
Estou cansado de ser tratado como um lixo pela política educacional (ou pela falta dela) do governo do estado de São Paulo.
Sem um plano de carreira, sem condições de trabalho dignas, lidando semanalmente com mais de mil alunos (21 turmas x 50 alunos), recebendo um salário ridículo, sem nenhum benefício, tendo que pagar para tomar conta dos carros da escola, comprar água, sem horário para refeição, sofrendo com a violência por parte da comunidade (já levei tiros em porta de escola e fui agredido e presenciei agressões aos meus colegas), sem um apoio pedagógico realmente eficaz, entre muitos outros fatores.
Mas o que mais me chateia são as opiniões do senhor, Sr. Gilberto Dimenstein.
Estou cansado de ser tratado em seus comentários como um mercenário que só pensa em dinheiro, ou como um alguém que falta quase que diariamente ao trabalho por pura negligência. Não aguento mais!
Suas colunas também foram determinantes para me levar a tomar a decisão de largar o magistério. Meus amigos (que não são professores) leem suas opiniões e acham que estou aumentando a situação, que estou mentindo, pois ao lerem sua coluna e verem a propaganda do governo estadual, acreditam que a escola pública está uma maravilha.
Peço ao senhor que, ao publicar suas próximas colunas, pense, mas pense muito, em quantos professores o senhor está desmotivando.
Informe-se, procure, estude e - acima de tudo - conheça a realidade das escolas estaduais das regiões periféricas.
O senhor mesmo já percebeu que a atratividade da carreira do magistério é quase nula frente aos jovens concluintes do ensino médio.
Trabalhe para valorizar a educação e não políticas educacionais pautadas pela economia e sem foco no ser humano.
Afirmo que estou em greve!
Não só por salário, mas para que o filho do pobre - ao qual o senhor se refere em sua coluna - possa chegar ao fim do ensino médio com condições de igualdade para disputar com o filho do rico uma vaga no mercado de trabalho ou em uma universidade, sem precisar de cotas.
Não aguento mais ver alunos sem saber ler e escrever egressos da escola pública.
Formados. Porém sem esperanças e sendo motivo de piadas.
Basta! Queremos respeito!
Somos professores de verdade!
lutamos contra a "escola de papel" !




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