quinta-feira, 21 de março de 2019

Há uma tragédia silenciosa que se desenvolve hoje em nossas casas e diz respeito às nossas jóias mais preciosas: nossos filhos.


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Há uma tragédia silenciosa que está se desenvolvendo hoje em nossas casas e diz respeito às nossas joias mais preciosas: nossos filhos. Nossos filhos estão em um estado emocional devastador! Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas.
As estatísticas:
– 1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;
– um aumento de 43% no TDAH foi observado;
– um aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;
– um aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.

O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?
As crianças de hoje estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como:
pais emocionalmente disponíveis;
limites claramente definidos;
responsabilidades;
nutrição equilibrada e sono adequado;
movimento em geral, mas especialmente ao ar livre;
jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio.
Em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com:

– pais digitalmente distraídos;
– pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças “governarem o mundo” e sem quem estabeleça as regras;
– um sentido de direito, de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por
obtê-lo;
– sono inadequado e nutrição desequilibrada;
– um estilo de vida sedentário;
– estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.
O que fazer?
Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível! Muitas famílias veem melhorias imediatas após semanas de implementar as seguintes recomendações:
– Defina limites e lembre-se de que você é o capitão do navio. Seus filhos se sentirão mais seguros sabendo que você está no controle do leme.
– Oferecer às crianças um estilo de vida equilibrado, cheio do que elas PRECISAM, não apenas o que QUEREM. Não tenha medo de dizer “não” aos seus filhos se o que eles querem não é o que eles precisam.
– Fornecer alimentos nutritivos e limitar a comida lixo.
– Passe pelo menos uma hora por dia ao ar livre fazendo atividades como: ciclismo, caminhadas, pesca, observação de aves/insetos.
– Desfrute de um jantar familiar diário sem smartphones ou tecnologia para distraí-lo.
– Jogue jogos de tabuleiro como uma família ou, se as crianças são muito jovens para os jogos de tabuleiro, deixe-se guiar pelos seus interesses e permita que sejam eles que mandem no jogo.
– Envolva seus filhos em trabalhos de casa ou tarefas de acordo com sua idade
(dobrar a roupa, arrumar brinquedos, dependurar roupas, colocar a mesa, alimentação do cachorro etc.).

– Implementar uma rotina de sono consistente para garantir que seu filho durma o suficiente. Os horários serão ainda mais importantes para crianças em idade escolar.
– Ensinar responsabilidade e independência. Não os proteja excessivamente
contra qualquer frustração ou erro. Errar os ajudará a desenvolver a resiliência e a aprender a superar os desafios da vida.
– Não carregue a mochila dos seus filhos, não lhes leve a tarefa que esqueceram, não descasque as bananas ou descasque as laranjas se puderem fazê-lo por conta própria (4-5 anos). Em vez de dar-lhes o peixe, ensine-os a pescar.
– Ensine-os a esperar e atrasar a gratificação.
Fornecer oportunidades para o “tédio”, uma vez que o tédio é o momento em que a criatividade desperta. Não se sinta responsável por sempre manter as crianças entretidas.
– Não use a tecnologia como uma cura para o tédio ou ofereça-a no primeiro segundo de inatividade.

– Evite usar tecnologia durante as refeições, em carros, restaurantes, shopping centers. Use esses momentos como oportunidades para socializar e treinar cérebros para saber como funcionar quando no modo “tédio”.
– Ajude-os a criar uma “garrafa de tédio” com ideias de atividade para quando estão entediadas.
– Estar emocionalmente disponível para se conectar com crianças e ensinar-lhes autorregulação e habilidades sociais.
– Desligue os telefones à noite quando as crianças têm que ir para a cama para evitar a distração digital.
– Torne-se um regulador ou treinador emocional de seus filhos. Ensine-os a reconhecer e gerenciar suas próprias frustrações e raiva.
– Ensine-os a dizer “olá”, a se revezar, a compartilhar sem se esgotar de nada, a agradecer e agradecer, reconhecer o erro e pedir desculpas (não forçar), ser um modelo de todos esses valores.
– Conecte-se emocionalmente – sorria, abrace, beije, faça cócegas, leia, dance, pule, brinque ou rasteje com elas.
Dr. Luís Rajos Marcos
Médico Psiquiatra
Fonte:https://provocacoesfilosoficas.com/ha-uma-tragedia-silenciosa-que-se-desenvolve-hoje-em-nossas-casas-e-diz-respeito-as-nossas-joias-mais-preciosas-nossos-filhos/

quarta-feira, 20 de março de 2019

Desafios para a escola contemporânea

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Cultura de paz e ações sócio-educativas: desafios para a escola contemporânea

Leila Dupret
Docente da Universidade Estácio de Sá


A paz não pode ser apenas garantida pelos acordos políticos, econômicos ou militares. No fundo, ela depende do comprometimento unânime, sincero e sustentado das pessoas. Cada um de nós, independentemente da idade, do sexo, do estrato social, crença religiosa ou origem cultural é chamado à criação de um mundo pacificado2.
As palavras do Diretor Geral da UNESCO, Koïchiro Matsuur, pretendem mostrar a necessidade e importância de estarmos engajados no movimento pela Paz, construindo uma Cultura que permita conjugar atitudes individuais e coletivas em prol do bemestar dos cidadãos e do desenvolvimento humano.
Mas, o que significa Cultura da Paz?
Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças e os adultos de uma compreensão dos princípios e respeito pela liberdade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância, igualdade e solidariedade. Implica uma rejeição, individual e coletiva, da violência que tem sido parte integrante de qualquer sociedade, em seus mais variados contextos. A cultura da paz pode ser uma resposta a diversos tratados, mas tem de procurar soluções que advenham de dentro da (s) sociedade (s) e não impostas do exterior.
Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado em seu sentido negativo, quando se traduz em um estado de não-guerra, em ausência de conflito, em passividade e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese, condenada a um vazio, a uma não existência palpável, difícil de se concretizar e precisar. 
Em sua concepção positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a prática da não-violência para resolver conflitos, a prática do diálogo na relação entre pessoas, a postura democrática frente à vida, que pressupõe a dinâmica da cooperação planejada e o movimento constante da instalação de justiça.
Uma cultura de paz implica no esforço para modificar o pensamento e a ação das pessoas no sentido de promover a paz. Falar de violência e de como ela nos assola, deixa de ser a temática principal. Não que ela vá ser esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia-a-dia e temos consciência disto.
Porém, o sentido do discurso, a ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de palavras e conceitos que anunciem os valores humanos que decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A violência já está bastante denunciada, e quanto mais falamos dela, mais lembramos sua existência em nosso meio social e ambiental. É hora de começarmos a convocar a presença da paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
Um dos primeiros passos neste sentido, refere-se à gestão de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencialmente violentos e reconstruir a paz e a confiança entre pessoas emergentes de situação de guerra, é um dos exemplos mais comuns a serem considerados. Tal missão estende-se às escolas, instituições e outros locais de trabalho por todo o mundo, bem como aos parlamentos e centros de comunicação, a lares e associações.
O conflito é um processo natural e necessário em toda sociedade humana, é uma das forças motivadoras da mudança social e um elemento criativo essencial nas relações humanas3.
Um outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento sustentado e o respeito pelos direitos humanos, reforçando as instituições democráticas, promovendo a liberdade de expressão, preservando a diversidade cultural e o ambiente.
A cultura da paz está pautada em valores humanos que precisam ser colocados em prática, a fim de passarem do estado de intenção para o exercício da ação, transformando-se, concretamente, em atos. Tais valores, que se traduzem em éticos, morais e estéticos, nos encaminham para o despertar de expressões de amor e manifestações de respeito, que têm estado adormecidas, nos últimos tempos.
Os homens, ao definirem sua posição em relação ao amor, tradicionalmente têm definido também sua posição diante da vida, daí a importância do mesmo, já que esta necessidade claramente humana não se expressa exclusivamente no amor conjugal ... mas inclui, além disso, o amor aos filhos, aos pais, aos amigos, à pátria e outras formas de manifestação desse afeto que se encontra na base do comportamento humano.4
O amor, em seus diversos modos, vem sendo relegado a um segundo plano, pelas pessoas que acabam priorizando a necessidade de obter êxito em seu trabalho ou de resolver as dificuldades da vida diária.
O que tem provocado, por uma lado, ignorar o próprio potencial que temos para amar, e por outro, minimizar sua importância. 
Mostrar, livre e sem inibição, nossa capacidade de amar tem sido uma tarefa das mais difíceis, atualmente.
Isto porque, idiosincrasias e identidades nacionais, além de influências sociais, acrescidas da idade, sexo, escolaridade, ocupação e outros constituintes da especificidade psicológica de cada um, repercutem sobre o modo como assumimos o amor. Assim, ele pode ser considerado como uma parte especial da cultura contemporânea, na qual encontram-se uma série de valores, atitudes e formas de comportamento.
O amor é um sentimento que se caracteriza por envolver a personalidade como um todo, traduzindo-se em valorização pessoal e auto-estima. Ou seja, se converte em um motor que impulsiona e regula a conduta de alguém no sentido de compelir à realização ou propor coisas que antes não eram sequer cogitadas.
Obviamente, não podemos perder de vista nosso contexto atual, pois, não há dúvida, que os processos de automação, a velocidade do cotidiano e, de um modo geral, os complexos e ameaçadores tempos que vivemos, estão latentes em nossa subjetividade e possuem um valor estressante, modificando a atitude e concepção do fenômeno amoroso.
A isto se juntam velhos vícios que, ainda hoje, permeiam a educação e a orientação que os pais dão aos filhos, educando a menina e o menino com padrões psicológicos e morais totalmente diferentes. 
O que acaba se estendendo aos contextos escolares e funcionando como impedidores da manifestação do amor em sua versão mais simples.
Compreendemos que é imprescindível que os meios de comunicação maciça, as escolas e universidades, assim como todos os que, a título individual ainda acreditam na necessidade deste sentimento, divulguem-no, educando e propagando-o sob formas de intercâmbio e comunicação entre casais, entre pais e filhos, com o resto da família e a sociedade em geral. O amor, entendido como um componente essencial da cultura é, não só, causador de um desfrute estético para quem o possui, como também provoca o bem-estar físico, psíquico e social, transformando-se em um poderoso meio promotor de saúde e autodesenvolvimento humano.
Continue lendo o texto  clicando abaixo:

Adam Smith e o massacre de Suzano

INSTITUTOLIBERAL.ORG.BR

Explicações absurdas e tolices irrefletidas foram a tônica depois do atentado em Suzano. Uns culparam as armas, outros a falta delas. Houve quem apontasse o dedo para os videogames, as armas de brinquedo, o cinema, a TV, o bullying. Mais próximos da realidade estiveram aqueles que miraram em problemas psíquicos, como sociopatia e outros.
Coincidentemente, deparei-me hoje com um ótimo artigo (do qual esse texto é um breve resumo) do economista Russ Roberts, sobre a Teoria dos Sentimentos Morais, de Adam Smith, que pode jogar um pouco de luz sobre um tema tão complexo quanto sem respostas prontas.
Pessoas bem informadas sabem que Adam Smith escreveu A Riqueza das Nações, livro que o elevou ao honroso lugar de “Pai da ciência econômica”, mas poucos já ouviram falar de seu primeiro livro: The Theory of Moral Sentiments. Neste livro, ele discorre sobre a moralidade e sobre os porquês de as pessoas se comportarem da maneira como se comportam, quando interagem umas com as outras.
Smith argumenta que a maioria de nós deseja o respeito daqueles que nos rodeiam e queremos ganhar esse respeito honestamente, pela forma como realmente nos comportamos, e não apenas como somos percebidos. Queremos que nosso verdadeiro eu seja a fonte de nossa reputação. Uma única frase resume a visão de Smith sobre nossa motivação: “o homem naturalmente deseja, não apenas ser amado, mas ser admirável”.
Por amado, Smith não quer dizer apenas amor romântico ou amizade profunda. Ele quer dizer honrado, respeitado, elogiado, notado. Queremos importar aos olhos dos outros. Por admirável, Smith quer dizer digno de honra, digno de respeito, louvável. Nós, naturalmente, desejamos ser amados e admirados. O que Smith está dizendo é que nos preocupamos profundamente em não apenas sermos respeitados e elogiados. Mas também queremos merecer esse respeito honestamente, sendo realmente pessoas admiráveis.
Smith faz uma afirmação mais ousada, segundo a qual esse desejo de respeito dos outros é a fonte de nosso bem-estar. Ele escreve: “A parte principal da felicidade humana surge da consciência de ser amado”.
Então considere o seguinte. Se Smith está certo e se a parte principal da felicidade humana surge da consciência de ser amado, então o que acontece com pessoas que não são amadas, não são respeitadas, não são honradas ou admiradas? O que acontece com pessoas a quem ninguém dá atenção, embora lutem para encontrar respeito, honra, amor? O que acontece com as pessoas que se sentem como se ninguém se importasse com elas?
Quando ocorrem dramas como os de Suzano, nós debatemos sobre muita coisa, exceto o que acontece na mente de alguém, a ponto de levá-lo a matar estranhos, aparentemente sem nenhuma razão. Então, nós debatemos o controle de armas. Debatemos se deveríamos armar professores, ou intensificar nossa segurança em igrejas, shows ou lugares onde multidões se reúnem.
Nós nos concentramos nas armas, nos esquecendo de que as armas, sozinhas, são incapazes de ferir alguém. Não é uma coincidência que quase todos esses massacres sejam cometidos por homens, a maioria homens solitários, descontentes, alienados da vida moderna, alienados do padrão de sucesso a que nossa cultura aspira, desconectados daqueles que os rodeiam. Ninguém presta muita atenção a eles até que já tenham feito dezenas de vítimas. Ninguém presta muita atenção até as manchetes gritarem que esses homens solitários finalmente fizeram algo que as pessoas terão de notar.
Tentamos não pensar no fato de que, apesar de a legislação restringir a posse de armas, essas tragédias continuam acontecendo. Nós gostamos de pensar que só precisamos de mais do mesmo. Se pudéssemos aprovar leis de armas mais duras, ou treinar professores para usar armas ou algo assim, o problema seria resolvido.
Mas nenhuma dessas políticas chega ao problema de fundo – uma perda de conexão e um desejo insatisfeito de pertencimento, de que Adam Smith nos fala com maestria. Esse desafio não é facilmente quantificado, por isso, é improvável que consiga a atenção de muitos ou seja o foco de um projeto de pesquisa. Nenhuma lei ou política governamental conseguirá incutir nas pessoas que precisamos prestar mais atenção às pessoas ao nosso redor que não são amadas e tentam se conectar conosco. Isso requer uma mudança de comportamento em relação ao outro. Uma mudança cultural nada trivial.

sexta-feira, 15 de março de 2019

As escolas não têm mecanismo de segurança

"A segurança nas escolas está sob a responsabilidade dos trabalhadores que estão lá. Todos estão expostos e a qualquer momento pode ocorrer o que aconteceu em Suzano. As escolas não têm mecanismo de segurança", afirmou.
professor Gilmar Ribeiro  APEOESP



Depois de massacre, Estado anuncia revisão da segurança em escolas

Governo de São Paulo anunciou que irá reforçar e rever procedimentos de segurança em todas as 5,3 mil escolas estaduais (326 delas no Vale), com prioridade para as unidades mais vulneráveis, que já tenham sido roubadas
Xandu Alves@xandualves10 | @xandualves10
A Secretaria de Estado da Educação vai revisar o procedimento de segurança de todas as 5,3 mil escolas estaduais de São Paulo --326 delas no Vale do Paraíba com cerca de 170 mil alunos.
O anúncio foi feito um dia após a chacina na escola estadual Raul Brasil, em Suzano, na qual dois ex-alunos, de 17 e 25 anos, invadiram armados e mataram cinco alunos e duas funcionárias. Os atiradores se suicidaram.
O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, disse que a estrutura das escolas e a segurança serão reforçadas e os procedimentos de segurança, revisados. Haverá um estudo para reforçar escolas mais vulneráveis.
"Temos situações distintas. A segurança no dia a dia é um tipo de atendimento necessário e estamos trabalhando com a Polícia Militar, desde janeiro, para criar condições de melhorias para escolas que foram roubadas ou com professores ameaçados".
"Outra é reforçar as estruturas e revisar os procedimentos. Vamos olhar todos os nossos procedimentos".
No entanto, Soares disse que obras e segurança não serão suficientes. Ele quer atuar na prevenção.
"Não basta pensar só no físico, mas encontrar a forma de fazer diagnóstico e acompanhar esses meninos e meninas que precisam. Não podemos perder esse jovem e temos que aprender com essa tragédia", afirmou o secretário.
LIÇÕES.
O general João Camilo Pires de Campos, secretário da Segurança Pública, disse que vai usar "as lições aprendidas para melhorar processos".
"A ideia é intensificar procedimentos e processos para a segurança das pessoas. Proteger patrimônios, sonhos e esperança. A PM e a Secretaria de Educação, além da de Justiça e Desenvolvimento Social, trabalharão juntas para corrigir e não termos mais tragédias como essa".
Apeoesp cobra "segurança e política contra a violência" nas escolas do Vale
A Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo) cobrou reforço na segurança das escolas estaduais da RMVale e a adoção de uma política de prevenção à violência.
Diretor estadual do órgão no Vale, o professor Gilmar Ribeiro disse que o governo não tem a mesma preocupação com a segurança das escolas como tem com unidades de saúde.
"A segurança nas escolas está sob a responsabilidade dos trabalhadores que estão lá. Todos estão expostos e a qualquer momento pode ocorrer o que aconteceu em Suzano. As escolas não têm mecanismo de segurança", afirmou.
Segundo ele, há unidades com defasagem de até 40% no quadro de funcionários, o que prejudica a segurança. "Isso facilita a entrada de pessoas sem controle nenhum", disse.

Quem são culpados pelo massacre da Escola de Suzano ???


Quem são os  culpados pelo massacre na escola de Suzano? Esta é a mesma pergunta que se faz em relação a tragédia da escola de Realengo.
Esta é uma pergunta que fica no ar. Não são apenas os rapazes que idealizarm os ataques,as familias desestruturadas , o "Bullying"sofrido em silêncio  e nem tão pouco os jogos violentos de video game .
Adriana Silveira, presidente da Associação Anjos de Realengo respondeu este questionamento  com a propriedade da dor de perder a filha  e   em meio ao sofrimento  conseguiu enxergar os verdadeiros culpados.
Trecho de reportagem do Globo :
https://oglobo.globo.com/rio/massacre-de-realengo-cinco-anos-da-tragedia-que-chocou-pais-19027560
— Nada foi feito, nada mudou. O verdadeiro culpado é o poder público, que não tomou providências nem antes nem depois. Dentro das escolas as crianças têm que estar seguras. Minha filha pagou com a vida. Para mim, não foi fatalidade. Quantas crianças também terão que pagar com a vida para que haja mudanças? — questiona Adriana Silveira, presidente da Associação Anjos de Realengo, que reúne parentes das vítimas do massacre.
Os portões estão abertos para qualquer um entrar. É tudo fácil demais — lamenta Adriana, que não se cansa de repetir o lema da associação: “Lembrar é reagir; esquecer é permitir”.

A Escola Brasileira sangra novamente na cidade de Suzano após 8 anos do massacre do Realengo


Como se não bastassem as mazelas da escola  publica brasileira, tragédias como a que ocorreu nesta semana traumatizam profissionais de educação e  deixam abaladas inúmeras familias.
Após 8 anos do massacre do Realengo, familiares sofre com a perda de crianças e adolescentes e a história se repete em uma outra escola.
Seria o  bullying o motivo de tanta violencia e dor ??? O que zizer das familias desestruturadas e seu papel na educação dos filhos e na sociedade atual???
Precisamos repensar estratégias contra o "bullying" e toda forma de preconceito. Precisamos combater todo tipo de violência e  fortalecer a "cultura da Paz" em nossas escolas.A vida   não pode ser banalizada  e a dor do outro ignorada. Precisamos resgatar as familias e os valores perdidos em meio ao caos desta sociedade que cada vez mais valoriza o "ter" em detrimento do "ser" e transforma seres solitários em meio a multidões .

A dor de perder um ente querido é singular,a vida fica estilhaçada e a superação da dor da perda é necessária para a propria sobrevivência, mas também é um lomgo caminho a ser trilhado. Por uma escola que valorize  o respeito ao próximo e uma  educação para  paz !


07/04/2016 06h00 - Atualizado em 07/04/2016 17h39

Após 5 anos, irmãs de vítimas do massacre em Realengo ainda sofrem

Mortes na Escola Municipal Tasso da Silveira ainda deixam jovens abaladas.
Assassinato de 12 adolescentes aconteceu na manhã de 7 de abril de 2011

Cristina BoeckelDo G1 Rio


Da esquerda para a direita: Tainá, Milena e Helena, que estudavam na Escola Tasso da Silveira na época do massacre. Milena foi uma das vítimas (Foto: Tainá Bispo/ Arquivo pessoal)
Da esquerda para a direita: Tainá, Milena e Helena, que estudavam na Escola Tasso da Silveira na época do massacre de Realengo. Milena foi uma das vítimas (Foto: Tainá Bispo/ Arquivo pessoal)

Saudade e dor. Estes são os principais sentimentos descritos por amigos e familiares dos 12 adolescentes mortos no massacre promovido por Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, na Escola Tasso da Silveira, em Realengo, na Zona Oeste do Rio — o atirador foi baleado e atirou na própria cabeça após os assassinatos .
O crime completa cinco anos nesta quinta-feira (7), e as lembranças daquela manhã de horror ainda parecem muito vivas para quem convivia com as vítimas.
“Todo dia eu penso nela. Não adianta. Não tem jeito”, desabafa Tainá Bispo, de 23 anos, irmã de Milena dos Santos Nascimento, que tinha 15 anos quando foi morta.
"Todo dia eu penso nela. Não adianta. Não tem jeito"
Tainá Bispo,
irmã de Milena, morta no massacre de Realengo
Tainá conta que na manhã em que o crime ocorreu ela acordou indisposta, mas foi convencida justamente por Milena a ir para a escola. As duas e a irmã caçula, Helena, estudavam na Tasso da Silveira.
“Era um dia normal. Mas eu não queria ir. Mas minhas outras duas irmãs estudavam lá. Cheguei a pedir para ficar em casa. Mas a minha mãe falava que ou ia uma para a escola ou não ia nenhuma. A Milena insistiu muito. Fomos. Ela adorava fazer teatro e nesse dia tinha aula”, lembrou a jovem.
Tainá estudava no mesmo andar que Milena, em uma sala bem próxima de onde Wellington começou os ataques. Ela recorda dos sons dos tiros e destaca que sua turma foi salva pelo professor. 

 As irmãs Tainá, de vermelho, e Milena, de laranja (Foto: Tainá Bispo/ Arquivo pessoal)
Massacre de Realengo: as irmãs Tainá, de
vermelho, e Milena (Foto: Arquivo pesso
“Da primeira sala, ao lado da nossa, ouvimos alguns barulhos, que não identificamos imediatamente como tiros.
O professor saiu e logo voltou muito assustado. Mandou todos abaixarem e se escondeu também”, contou.
Após o tiroteio, Tainá foi encaminhada para fora do prédio, onde encontrou Helena. A notícia de que a irmã do meio havia morrido foi dada por Brenda Tavares, melhor amiga dela, que só sobreviveu porque se fingiu de morta.
“Ela disse: ‘Tainá, a Milena morreu’. Ela tinha uma mecha de cabelo na mão e disse que era dela”, contou Tainá.

Manhã  difícil de esquecer

Kelly Guedes perdeu a irmã Géssica Guedes Pereira, que era dez anos mais nova que ela, no massacre.
A casa da família fica perto da Escola Tasso da Silveira e ela relembra que foi acordada, em meio a grande confusão, com o anúncio de que uma tragédia havia acontecido com a caçula.
Kelly Guedes, à direita, com a irmã e a estátua que representa Géssica, que perderam no massacre da Escola Tasso da Silveira (Foto: Kelly Guedes/ Arquivo pessoal)
Kelly Guedes, à direita, com a irmã abraçadas à estátua que representa Géssica, morta no massacre de Realengo, na Escola Tasso da Silveira (Foto: Kelly Guedes/ Arquivo pessoal)

“Acordei com o barulho do helicóptero e uma pessoa batendo aos murros no portão, com alguém dizendo que a minha irmã tinha sido sequestrada. Eu desci correndo as escadas e fui correndo com roupa de dormir pela rua. Quando cheguei na porta da escola, estavam saindo corpos, todo mundo gritando”, relembra Kelly, com a voz um pouco embargada.
Baleada na cabeça, Géssica foi levada ainda com vida para o Hospital Albert Schweitzer.
Depois, foi transferida para o Hospital de Saracuruna, onde morreu. Kelly diz ter dificuldades de entrar no Albert Schweitzer até hoje e afirma que, após a morte da irmã, sua vida nunca mais voltou a ser a mesma.

“Eu era a irmã mais velha. Minha mãe viajava e eu cuidava dela. No começo, eu tinha uma revolta. No meu modo de pensar, aquele lugar não tinha mais que existir e todos que estavam lá tinham que ser punidos, porque deixaram aquilo acontecer. Porque eu achava que era um erro. Ela foi para a escola e foi morta lá. Fiquei muito revoltada”, desabafou.

Vidas  alteradas
Ao longo deste cinco anos, Kelly enfrentou vários problemas de saúde, mas ela acredita que o pior é a saudade. Ela diz que o filho a mantém em pé.

“Eu tenho um filho de sete anos, que na época tinha dois. E eu tenho que explicar tudo para ele. Às vezes, tenho medo de mandá-lo para a escola. Tenho medo que aconteça algo com ele. Tem dias que estou sorrindo, mas meu coração está apertado e dolorido”, contou.

Tainá também teve a vida alterada após o massacre de Realengo. Ela continuou na escola, porque a irmã desejou voltar. Mas as lembranças daquela manhã de 7 de abril de 2011 a perseguiam. As duas irmãs acabaram saindo da Tasso da Silveira.

“É dolorido porque, quando você lembra, revê tudo. É doído. As pessoas dizem que o tempo vai curar a dor, mas ela só aumenta”, assegura Tainá Bispo.

Pouco tempo após a morte de Milena, a família ganhou mais um integrante: Davi, um irmãozinho para Tainá e Helena. O nascimento da criança as ajudou a continuar caminhando, mesmo com a dor.

“Quando a Milena morreu, minha vontade de viver morreu com ela. Mas quando o Davi nasceu, surgiu uma nova esperança”, revelou a jovem.
Gessica Guedes, uma das vítimas da chacina na Escola Tasso da Silveira, em Realengo (Foto: Kelly Guedes/ Arquivo pessoal)
Gessica Guedes, uma das12  vítimas da chacina na
Escola Tasso da Silveira, em Realengo
(Foto: Kelly Guedes/ Arquivo pessoal)


Tem dias que estou sorrindo, mas meu coração está apertado e dolorido"
Kelly Guedes,
irmã de Gessica, morta no massacre de Realengo

União e luta

As famílias de todas as vítimas do massacre na Escola Tasso da Silveira formaram a 
“Associação dos Anjos de Realengo”, que promove ações contra o bullying e combate a violência nas escolas.
O objetivo da luta é evitar a formação de outros jovens que, assim como Wellington, resolvam vingar os assédios morais com um ato tão violento.
O autor do massacre havia sido aluno da Tasso da Silveira, onde teria sido vítima de bullying, suposta motivação atribuída para que ele planejasse o massacre.

Wellington Menezes de Oliveira, homem que atirou contra escola municipal Tasso de Oliveira, em Realengo (Foto: Divulgação/Seseg)
Wellington Menezes de Oliveira, homem que abriu
fogo na Escola municipal Tasso de Oliveira,
em Realengo, teria sido vítima de bullying quando
estudou lá (Foto: Divulgação/Seseg)

O símbolo do grupo é uma fita verde, que simboliza a esperança em um futuro melhor nas escolas, onde outras famílias não precisem passar anos guardando as lembranças de um crime.


Cinco ataques que chocaram o Brasil

O ataque a tiros na escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, nesta quarta-feira chocou o Brasil e o mundo

Estátuas em homenagem às vitimas na escola do Realengo RJ

Cinco ataques que chocaram o Brasil

O ataque a tiros cometido por dois ex-alunos da escola estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, logo traz à memória o atentado a um colégio no bairro de Realengo, no Rio de Janeiro, em 2011






Ambos os ataques foram premeditados e cometidos com armas de fogo por ex-alunos que se suicidaram após matarem estudantes e funcionários.
Os dois casos estão entre as tragédias que marcaram a história recente do país.
Relembre cinco ataques:
Cinema em São Paulo
Em novembro de 1999, o estudante de medicina Mateus da Costa Meira matou três pessoas e feriu outras quatro em uma sala de cinema do Morumbi Shopping, em São Paulo.
Meira, que cursava o sexto ano de medicina da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, portava usou uma submetralhadora para o ataque. Ele foi condenado a 120 anos de prisão.
Em 2009, Meira foi transferido para Salvador, onde moram seus pais. Naquele ano, ele foi acusado de tentativa de homicídio contra seu companheiro de cela Francisco Vidal Lopes, mas foi considerado inimputável [não responsável por seus atos] pela Justiça da Bahia.
O atirador cumpre pena, atualmente, em um hospital psiquiátrico de Salvador.
Escola em Realengo, no Rio de Janeiro
Em abril de 2011, um atirador abriu fogo contra crianças e adolescentes da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, na zona oeste do Rio. O ataque premeditado deixou 12 alunos mortos e uma dezena de feridos. As vítimas tinham entre 13 e 15 anos.
Relatos de sobreviventes da tragédia afirmaram à época que o atirador Wellington Menezes de Oliveira, então com 23 anos, mirava na direção das meninas - 10 das 12 vítimas eram do sexo feminino.
Oliveira, ex-estudante da escola alvo de seu ataque, se matou após troca de tiros com a polícia. Segundo a investigação do caso, o atirador deixou indicações de que o ato foi motivado, entre outras razões, pelo bullying de que ele teria sido vítima ao longo de sua vida escolar.
Escola particular em Goiânia
Em outubro de 2017, um jovem de 14 anos matou dois colegas e feriu outros quatro em uma escola particular de Goiânia. Uma das sobreviventes ficou paraplégica.
Filho de policiais militares, o atirador usou uma arma da corporação. Segundo a investigação do caso, o garoto disse que atirou contra colegas porque sofria bullying no colégio e que se inspirou nos massacres de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro.
O atirador foi condenado pela Justiça a três anos de internação, tempo máximo de reclusão previsto em lei como medida socioeducativa imposta a adolescentes infratores.
Creche em Janaúba
Também em outubro de 2017, o segurança de uma creche municipal de Janaúba, em Minas Gerais, ateou fogo em crianças, funcionários e em si mesmo. O ataque premeditado por Damião Soares dos Santos, então com 50 anos, matou nove crianças de 4 a 6 anos e uma professora.
De acordo com o delegado regional Bruno Fernandes, ele chegou a abraçar algumas crianças no meio das chamas.
Foram encontrados galões de gasolina na casa dele. Segundo a investigação do caso, Damião escolheu o aniversário de três anos de morte do pai para o incêndio na creche e disse a familiares, dois dias antes do ataque, que iria morrer e dar aquele "presente" aos parentes.
O atentado ao Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente deixou quase 40 crianças e funcionários feridos.
Catedral em Campinas
Em dezembro de 2018, um atirador matou cinco pessoas na Catedral Metropolitana de Campinas, no interior de São Paulo. Segundo a polícia, Euler Fernando Grandolpho, então com 49 anos, usava duas armas de numeração raspada, agiu sozinho e se matou com um tiro na cabeça.
"Rezei a missa das 12h15. No final da missa, uma pessoa atirou e fez algumas vítimas. Ninguém pôde fazer nada, ajudar de forma nenhuma. Peço que rezem pela pessoa, ele se matou depois de atirar. Foram mais de 20 tiros aqui dentro. Rezemos por ele e pelas pessoas que ficaram feridas. Estamos muito abalados com o que aconteceu", relatou à época nas redes sociais o padre Amauri Thomazzi, que conduziu a missa encerrada momentos antes do ataque.
Segundo a investigação do caso, o atirador planejava "algo grande" havia pelo menos dez anos e não foram encontrados indícios de motivação religiosa no ataque.